Praticamente todas as afirmações feitas pelo homem algum dia sofreram retoques. Em determinados momentos, novos conhecimentos sempre alteraram o sentido de uma verdade que era conhecida. Isto sem falar nos conhecimentos que alteram completamente a verdade conhecida, passando aquela compreensão a ser descrita pelo termo ‘mentira’.
O homem já achou que o sol girava em torno do seu planeta: foi verdade durante muitos anos, hoje é mentira. O homem já achou que o planeta era chato e que se cairia através das bordas dele: foi verdade, hoje é mentira. O homem já achou que os mares eram habitados por monstros imensos: foi verdade, hoje é mentira.
Nada escapou à ação de novos conhecimentos. Tudo, desde compreensões individuais (achar) até leis e ciências humanas foram verdades um dia e hoje são apenas mentiras.
Isso é real. Mas, vamos trazer os exemplos um pouco mais para perto de nós mesmos, ou seja, para nossa compreensão individual das coisas. Quantas verdades de nossas vidas já sofreram retoques ou foram completamente reestruturadas ou destruídas?
Lembremos da visão do mundo de quando éramos crianças, depois quando nos transformamos em jovens e comparemos àquelas que vivenciamos depois que alcançamos a maturidade. Todas estas fases tiveram verdades que foram absolutas na vida de cada um e que em determinado momento foram significativamente alteradas ou completamente mudadas.
Se tudo isso que falamos, para não continuarmos nos estendendo em exemplos, foi verdade e hoje não é mais, nunca foi realmente verdade, pois a Verdade é absoluta sempre.
Não existe verdade hoje que amanhã não seja mais. Não existe verdade hoje que possa ser retocada, ou aprimorada, amanhã. Se algo faltou para que fosse verdade, mesmo enquanto houve a falta, foi mentira, não verdade.
E se em todas as épocas as verdades de então sofreram alterações, na verdade, sempre foram mentiras. À época foram consideradas como verdadeiras, mas nunca foram realmente, porque posteriormente foram desmentidas.
Isso ocorre porque no mundo dos encarnados não existe a Verdade Absoluta, a não ser a Verdade Divina. Tudo o que é compreendido pelo espírito humanizado enquanto encarnado é sempre uma verdade temporária: uma verdade de acordo com o grau evolutivo dos habitantes do planeta (da humanidade como um todo e de cada ‘pessoa’ individualmente).
Todas as verdades relativas são criadas a partir de um conhecimento, mas este nunca vai parar de evoluir. E, como esta evolução constante do conhecimento quebra verdades para impor novas, ele nunca cria Verdades Absolutas, mas apenas relativas. Apenas aquele que conhece o que é imutável pode chegar à Verdade Absoluta.
Assim, não existe em situação alguma a Verdade dentro do planeta Terra. A verdade para este planeta nada mais é do que a interpretação de conhecimentos. O ser humanizado interpreta conhecimentos e dele gera verdades relativas, que não são verdadeiras, mas apenas conhecimento para determinada época.
O que pode ser percebido enquanto encarnado são verdades que não são universais e sim verdades individuais: a sua verdade. Isso ocorre porque é uma interpretação de conhecimento e como cada um possui uma interpretação, cria, então, a sua verdade.
Tal procedimento, no entanto, não gera problemas para a evolução espiritual. Ter verdades individuais não é problema, mas sujeitar-se a elas crendo nelas como absolutas, é que realmente interfere na evolução espiritual.
Não existe uma Verdade Absoluta conhecida, uma certeza, mas apenas interpretações diferenciadas da Verdade, que é Universal.
Cada um tem a sua verdade e deve trilhar a sua vida dentro dela. No entanto, não pode impô-la a terceiros, pois desta forma estaria usando da arrogância de imaginar que é o único ‘certo’. Tal forma de proceder afeta a Verdade única e maior que é a de Deus.
Esta sim é uma Verdade definitiva, porque mudam os anos, os séculos, os milênios e a lei de Deus, a Verdade de Deus continua a mesma. Desde que o primeiro espírito ocupou a matéria densa até o mais novo espírito que a tenha ocupado no Universo, a Verdade divina é a mesma, nunca sofreu alteração.
Esta é uma Verdade infinita porque ela nunca irá sofrer alterações. O raciocínio dos seres humanizados hoje não é o raciocínio verdadeiro, definitivo. Quantas coisas você á pensou para, posteriormente, se arrepender de ter acreditado naquilo?
Daí a importância deste tema. O conhecimento de que a verdade que cada um possui não existe como definitiva, é a base do espírito para poder buscar integrar-se ao Todo, ao Universal.
Quando o ser universal, encarnado ou não, descobre que não existe Verdade absoluta, a não ser a Verdade Divina, ele não precisa ter a soberba para defender seu patrimônio material ou o seu ponto de vista, porque eles podem ser alterados daqui a pouco. Quando o espírito reconhece que a verdade não existe como absoluta ele não precisa ter arrogância para questionamentos ou defesa de seus pontos de vista porque sabe que eles vão ser alterados com o passar dos tempos.
Quando o espírito descobre que a verdade só é a Verdade de Deus, ele pode se portar de acordo com as leis de Deus sem ferir o seu pensamento, o seu padrão de raciocínio, pois sabe que este padrão só é válido para o dia de hoje: amanhã ele pode ser completamente diferente.
Como julgar se não se conhece a Verdade? Como emitir parecer sobre coisas se existe a consciência de que o que está sendo falado será alterado daqui a pouco?
A consciência da existência das verdades individuais é fundamental para que o espírito possa viver de acordo com as leis divinas. Só o espírito que tem esta compreensão sabe que na sua vida ou no seu universo nada é definitivo, a não ser a presença, as leis e o poder de Deus. Tudo é transitório: com esta crença, se perde o absolutismo.
O espírito, a partir desta conscientização, começa, então, a ‘ver’ um universo onde tudo que aparece na sua vida é temporário, impressão passageira. Um universo onde as coisas que estão lhe machucando no momento certamente vão virar mentiras daqui a pouco. Um universo onde não há necessidade de se batalhar, de se disputar palmo a palmo vaidades que certamente amanhã virarão mentiras.
Verdade, resumindo, é uma coisa que não existe na vida de um espírito encarnado, a não ser que esta seja a verdade de Deus; as Suas leis, o Seu amor e o Seu poder sobre os filhos que estão no processo de reencarnação.
Com as graças de Deus.
Algumas considerações sobre verdades humanas
PRIMEIRA IMPRESSÃO
Quem ainda não deixou de gostar de alguém e depois passou a gostar? O desgostar pode ter sido motivado por ‘verdades individuais’ repassadas por outros. Através do raciocínio das informações recebidas, cada ser humanizado faz um julgamento de outros seres humanizados. No entanto, quando adquire novos conhecimentos, ou seja, novas informações, a verdade que se acreditava pode mudar.
Dessa forma, a primeira impressão não foi verdadeira, já que a crença sobre aquela outra pessoa se alterou. Como dissemos antes, se a verdade um dia se transformar em mentira é porque nunca foi verdade, pois para sê-la, tem que valer por toda a eternidade.
Sendo assim, o ser humanizado não deve acreditar na primeira ou em qualquer outra impressão que tenha sobre outros seres encarnados, pois elas podem ser alteradas ao longo dos tempos.
GRADUAÇÕES DE VERDADE
Não existem graus de verdade. Essa confusão é feita por muitos seres humanizados. A Verdade é sempre uma só.
Não existe, por exemplo, pessoa quase honesta: ou ela é ou não é. Para se ser honesto tem que ser desta forma vinte e quatro horas por dia, ainda que ela mesma, aparentemente, se prejudique com sua forma de ser.
Se, no entanto, ocorrer um só deslize durante toda a sua ‘vida’ a honestidade acaba, ou seja, o ser honesto transforma-se em uma verdade relativa.
Com a verdade, o mesmo se sucede. Para uma coisa ser verdadeira tem que ser assim vinte e quatro horas por dia, durante toda a eternidade. A partir do momento que sofrer o menor reparo deixará de ser verdade.

