Domingo, Maio 20, 2012
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Introdução aos estudos De 2001 até hoje, o Centro de Estudos Universalista vem realizando, guiado pelos amigos espirituais, estudos de temas universalistas que possam auxiliar os seres humanizados no chamado processo de elevação espiritual.
Espiritualidade do EEU O EEU é um trabalho da espiritualidade do planeta Terra que tem como objetivo auxiliar os seres humanizados (espíritos encarnados) na promoção do seu trabalho de reforma íntima para alcançar a elevação espiritual, a aproximação de Deus.
Reforma Íntima No meio espírita é muito conhecida a idéia da necessidade da promoção da reforma íntima. Ela é considerada o instrumento que leva o ser humanizado à elevação espiritual. Mas, como podemos compreender a reforma íntima dentro da visão universalista? Vamos conversar sobre isso...
Sanghas O assunto sobre o qual vamos tratar hoje é a questão das sanghas que falei em uma das palestras deste ano (2010). Formá-las, foi o que convidei a todos na mensagem do final do ano passado. Mas, antes de falar sobre as sanghas especificamente, peço que reflitam um pouco comigo...
Esconderijos Somos seres humanizados que se dizem espiritualistas, ou seja, acreditamos sermos algo mais do que a personalidade humana que estamos no momento. Este algo mais nós chamamos de espírito e por diversos outros nomes.
O espiritualismo e a hipocrisia humana

Encontro em Belo Horizonte | 2012

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O espiritualismo e a hipocrisia humana

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Participante: Hoje vamos falar sobre o ‘conhece a ti mesmo’?

O assunto específico de hoje não será ‘conhece a ti mesmo’, mas este sempre é o assunto de nossa conversa. Como Buda disse, o maior inimigo que você tem é você mesmo. Isso é assim porque vocês não se conhecem...

Vocês acham que se conhecem, mas isso não é real. Será que alguém aqui nunca foi surpreendido por uma ação, uma reação ou um sentimento que não imaginava que fosse possível ter ou sentir?

Esta é a primeira questão a respeito de se auto-conhecer. A segunda questão é que vocês floreiam o conhecimento que têm sobre si mesmos, para ficar mais bonito, mais agradável ou para ficar mais sábio.

Na conversa que tivemos em Pirenópolis houve uma pessoa que me disse que não gosta de briga. Esta era compreensão que ela tinha sobre si mesmo, mas eu provei que ela gostava sim, apesar de achar que não. Provei mostrando que brigar não é falar alto, não se exasperar, mas que quando nós apenas nos contrapomos com o que o outro está dizendo ou fazendo, mesmo que de forma cândida, já estamos brigando, pois brigar é ir contra o que o outro acha. Quem vai contra o outro, seja com que intensidade for já está brigando.

Na verdade, quem não quer brigar doa a razão ao próximo e isso é coisa que tanto ela como os seres humanos dificilmente fazem. Querem sempre provar que estão com a razão e por isso acabam brigando constantemente.

Apesar de viverem constantemente brigando, vocês floreiam o conhecimento sobre si mesmo dizendo que não gostam de brigas. Isso não é real. Por causa da característica humana, que quer sempre provar ao outro que está certo, eu lhes digo: vocês adoram brigar. Mais: fazem de tudo para não extingui-la enquanto não conseguirem provar que estão certos.

Por causa desta visão deturpada que cada um tem de si mesmo, o conhecimento sobre si mesmo está sempre presente em qualquer conversa que temos, mesmo que o tema não seja especificamente este. Mas, a partir deste ano ele estará muito mais presente. Isso porque neste ano (2012) vamos falar muito claramente sobre a hipocrisia humana...

Este é o ano que dedicaremos a um trabalho específico: meter o dedo na ferida, pois vamos falar mostrando claramente a hipocrisia humana. Mas, faremos isso sem acusações. Não vamos abordar o tema acusando ou ofendendo ninguém, mas usando o tema hipocrisia dentro da definição que Cristo deu ao termo: aquele que tem um discurso diferente daquilo que diz crer.

Isso é importante porque a hipocrisia natural do ser humano não consegue ser percebida por ele mesmo. Participa das ações imaginando que está preso a ideais nobres que diz está procurando, mas na verdade a sua intencionalidade real não condiz com eles. Vou dar um exemplo para mostrar o que estou dizendo.

Recentemente uma pessoa me procurou para pedir ajuda. Ela e outras pessoas estão querendo montar uma comunidade física onde pretendem residir juntas vivendo em uma sociedade fundamentada no espiritualismo e no universalismo. A ideia é maravilhosa, mas eu disse a ela que, na verdade, esta ideia estava fundamentada numa hipocrisia, já que estavam pensando fazer algo novo sem abrir mão de coisas velhas.

Quando se constrói algo novo mantendo elementos velhos, isso dá a esta coisa a característica da velha. Na Bíblia tem uma passagem onde Cristo afirma que não se coloca vinho novo em odre velho e não se remenda pano novo com tecido novo. Fazendo isso, o vinho fica rançoso e o tecido esgarça. Portanto, se alguém quer fazer algo novo, precisa usar apenas coisas novas. De nada adianta se misturar este algo novo com o velho, pois ele será contaminado por aquele.

Foi fundamentado neste ensinamento de Cristo que disse a ela que a ideia era maravilhosa, mas que estava sendo realizada de uma forma hipócrita. A ideia está sendo desenvolvida de forma hipócrita, pois, apesar dela e seu grupo terem um discurso de viver em liberdade completa e com harmonia plena entre eles, começaram a execução pensando em comprar um terreno e o dividir em lotes individuais onde cada um ergueria sua casa. Ou seja, querem criar dentro da comunidade ‘propriedades privadas’.

Vejam a presença do velho: o cerceamento, o isolamento, o individualismo. Como estas coisas podem estar presentes numa comunidade que afirma se pautar pela liberdade completa e pela harmonia entre eles? Impossível se alcançar isso mantendo os princípios que levaram ao isolamento e a defesa do patrimônio individual que caracteriza as comunidades (bairros) humanas.

Neste caso, eles querem fazer uma coisa que seja comum, onde se viva em coletividade, mas começam pensando no eu, no meu. Isso não pode dar certo...

Na verdade, como expliquei à pessoa que me procurou, o fim desta comunidade será transformar-se num bairro de qualquer cidade do planeta. Ao invés de se transformar numa comunidade aberta onde haja um convívio harmônico entre as pessoas, se transformará num bairro onde cada um tem sua casa erguida atrás de muros e com portões que isolam o habitante da comunidade.

A hipocrisia, neste caso, está na seguinte realidade: ‘Eu quero possuir algo novo, algo que seja comunitário, mas não abro mão da minha propriedade individual’. Mas, não para por aí: ela está presente em outra questão.

Porque eles não querem abrir mão da posse do terreno individualmente? Porque existe a preocupação com a sucessão depois que eles desencarnarem, porque existe a preocupação com o dia de amanhã quando podem não mais querer viver lá e querem poder recuperar o dinheiro investido. A hipocrisia está presente porque querem uma comunidade fundamentada no espiritualismo, uma comunidade que onde um possa ajudar o outro no seu trabalho de despossuir as coisas materiais, mas ainda se preocupam com os aspectos materiais da realização desta ideia.

A ideia tornou-se hipócrita porque ela é contrária ao que cada um dos que participam diz acreditar (que o importante é o despossuir para elevar-se). Quem quer despossuir os elementos materiais com que convive não se preocupa com questões legais ou em recuperar investimentos. Quando se fala que quer algo fundamentado no espiritualismo, mas ainda se preocupa em dividir a propriedade adquirida em conjunto em lotes individuais, mostra que o discurso é um, mas a vivência é outra.  Isso é hipocrisia...

Eles não perceberam a presença da hipocrisia até que eu dissesse estas coisas a eles. Não perceberam porque não conseguem conhecer a si mesmo na realidade. Vivem na superficialidade dos pensamentos não vendo que apesar de parecer extremamente arrojada a ideia ela está contaminada por algo oposto às suas crenças. Isto vale não só para este caso, mas para muitas das vivências que aqueles que afirmam estar buscando a Deus (querem ser espiritualistas) realizam durante a sua existência carnal.

Por isso, vamos dedicar este ano a falar da hipocrisia humana. Tentaremos em nossas conversas abordar os diversos aspectos dela. Não estaremos fazendo isso para acusar ou criticar ninguém, mas para trazer à luz da consciência aquilo que precisa ser feito por estes

Quem quer vivenciar o algo a mais que acredita ser – o espírito, o ser universal – precisa agir de forma diferente. Precisa viver este algo de uma forma nova, pois se não fizer isso, acabará contaminando esta disposição com elementos velhos e nada fará.

Nesta mudança, necessária para aquele que quer buscar coisas novas, está embutida uma nova visão sobre todos os elementos deste mundo. Não há como concatenar ideias velhas com novas, sem que a hipocrisia esteja presente.

Não estou falando só sobre propriedades. Existem diversos outros aspectos da existência humana que precisam ser repensados por aqueles que pretendem viver uma nova forma de vida. Mas, para poder repensá-los é preciso que a hipocrisia – a diferença entre viver as situações da vida de uma forma espiritualista ou materialistas – esteja bem visível.

Por isso vamos ao longo deste ano abordar temas comuns ao dia a dia do ser humanizado. Vamos falar de família, caridade, religiosidade, profissionalismo, consumismo, etc. Ou seja, vamos tentar mostrar como a vivência que os espiritualistas mantêm dos acontecimentos diários está muito distante daquilo que afirmam estar buscando.

 

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